A mulher no ciclismo – e se tivéssemos uma prova 100 por cento feminina?

A mulher no ciclismo – e se tivéssemos uma prova 100 por cento feminina?

Isabel Fernandes, comentadora Eurosport e ex-comissária da UCI, reflete acerca do papel da mulher no ciclismo após a conclusão da 3ª Volta a Portugal Feminina Cofidis.

A resposta à pergunta colocada no título é afirmativa. Faço esta afirmação com base na experiência vivida durante a 3ª edição da Volta a Portugal Feminina, onde estive no apoio às equipas, coordenação dos hotéis e apaga fogos em geral.

Em 1987, quando exerci a primeira função no ciclismo (tradutora de equipas estrangeiras) não existiam mulheres na caravana. Mais grave ainda: o regulamento previa que as mulheres não podiam circular na caravana da prova.

Muita coisa mudou no ciclismo desde então e hoje já vemos mulheres a exercerem quase todas as funções dentro de uma prova de ciclismo. A 3ª Volta a Portugal Feminina foi a prova disso.

Temos mulheres formadas para ocupar todas as funções?

Imaginemos uma prova em que todos os elementos fossem mulheres… seria possível em Portugal? Temos mulheres formadas para ocupar todas as funções?

  • Cristina Azevedo é a Diretora do Ciclismo Feminino da Federação Portuguesa de Ciclismo e a única mulher que faz parte da Direção.
  • Ana Rita Vigário é diretora da organização das provas da empresa JN, situação rara de acontecer.
  • O Colégio de Comissários da Volta a Portugal Feminina foi composto apenas por mulheres no que diz respeito às funções de direção desportiva da prova: Rita Teixeira foi a presidente, Mafalda Romão e Joana Ferreira foram as comissárias 2 e 3 e Sofia Bartolomeu e Mariana Campos foram as comissárias moto. Foi a primeira vez que algo semelhante aconteceu em provas nacionais.

Ainda estamos longe da realidade internacional

A nível de serviços médicos já começa a ser muito frequente termos mulheres a desempenhar qualquer uma das funções, seja médica, enfermeira ou bombeira.

O destacamento eventual da GNR também se fez representar por duas mulheres, a Capitã Fernandes e a batedora Loureiro, não me recordo de ter visto mulheres anteriormente nas provas portuguesas em moto. Talvez tenha sido uma estreia também.

Quanto ao staff das equipas também começamos a ver algumas mulheres nas funções de diretora desportiva e massagista, mas o número ainda é muito reduzido. Ainda estamos longe da realidade internacional.

Nunca tinha estado numa corrida com tantas mulheres

Secretariado, apoio às equipas e moto ardósia são algumas funções onde vamos vendo de forma frequente a presença de mulheres.

Termino com a curiosidade de o núcleo desta organização ser constituído por três mulheres e três homens. Em Portugal, nunca tinha estado numa corrida com tantas mulheres a desempenharem as várias funções numa prova de ciclismo.

Este é um caso único na nossa realidade, mas que demonstra que é possível termos mulheres em todas as funções do ciclismo desde que tenham a competência necessária para exercer essas funções. Estamos longe de repetir este cenário na maioria das provas, mas fica o exemplo de que não se trata de ficção e uma esperança para quem tem esse sonho.

O caminho faz-se caminhando…

Por: Isabel Fernandes

O TopCycling agradece à Isabel Fernandes pelo testemunho e ao João Fonseca à UVP-FPC pela cedência das fotografias.

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