A bicicleta de BTT de Tom Pidcock

A bicicleta de BTT de Tom Pidcock

A nova geração de ciclistas multidisciplinares (que fazem bem as 3 disciplinas: estrada, ciclocrosse e BTT), colocam problemas às marcas e à industria, não problemas no verdadeiro sentido da palavra porque são super-estrelas deste desporto e promovem as marcas, mas alguns pequenos problemas porque algumas marcas não estão preparadas para os receber.

Tom Pidcock, o ciclista britânico que é a mais recente estrela contratada pela Ineos Grenadiers, vem do Ciclocrosse onde nas camadas jovens foi campeão do mundo Junior e Sub-23 (vice campeão do mundo Elite em 2020), aos quais juntou um giro de Itália sub-23 em 2020, o que levou a Ineos a contratar este “todo o terreno”.

É mais um fenómeno como Mathieu Van der Poel, chegou ao escalão World Tour e na sua primeira temporada venceu a clássica Flèche Brabançonne, ficou em segundo na Amstel gold race e quinto na Strade Bianche.

Este ano (ano olímpico), decidiu tentar ainda a qualificação para os Jogos olímpicos, na vertente de Cross-Country Olímpico, onde a Inglaterra não tem qualquer atleta qualificado, pois são necessários pontos UCI acumulados em corridas desta vertente.

Estando Tom Pidcock na Ineos, equipa que utiliza bicicletas Pinarello, deveria o mesmo correr com bicicleta Pinarello também no BTT.

Acontece que a marca italiana decidiu acabar a produção da sua bicicleta de BTT em 2020 (no site da marca ainda se encontra disponível no arquivo de 2019), que era a Dogma XC, uma bicicleta rígida (só com suspensão na frente).

A Pinarello deixou de produzir a Dogma XC e não tem bicicletas de BTT actualmente.

Então Tom Pidcock, ou a Ineos, tiveram que escolher uma alternativa à marca italiana e descaracteriza-la (retirar logotipos e marca), montando o quadro com componentes à sua maneira, ou não!

Apesar da bicicleta não ter os logotipos de marca, toda a gente sabe que é um quadro BMC Fourstroke (suspensão total), o qual equiparam com componentes Shimano e, aqui vem a parte curiosa, numa primeira fase com componentes PRO (marca que fornece a Ineos na estrada), e numa segunda fase com componentes Syncros ( marca que fornece a Scott, e que não tem nada a ver com a Ineos). Estranho, tendo em conta que a Shimano e PRO fornecem a equipa britânica na estrada.

Se reparares no vídeo da Ineos que mostro de seguida, a bicicleta está equipada com guiador e avanço PRO, e nas fotografias da Taça do mundo já está equipada conforme descrevo mais em baixo.

Neste vídeo podemos ver a estrutura criada em volta do jovem prodígio britânico, no sentido de lhe providenciar todas as condições para que ainda consiga a qualificação para os jogos Olímpicos.

Num tempo record Tom Pidcock preparou bicicleta, treinou e terminou quinto na primeira corrida em Albstadt (onde partiu com mais de 60 ciclistas à sua frente por não ter ranking que o posicionasse melhor na partida), tendo depois vencido a corrida seguinte em Nove Mesto. Isto perante os melhores do mundo da especialidade como Schurter, Flueckiger, Sarrou, Avancini, Koretski ou o próprio Mathieu Van der Poel.

Antes da Taça do Mundo com avanço e guiador PRO

Na Taça do Mundo com guiador Syncros Fracer iC SL

Antes das rodas Syncros Silverton SL, Tom Pidcock ainda testou as Duke.

Versão final da bicicleta de BTT de Tom Pidcock

  • Quadro: BMC Fourstroke 01 ONE
  • Rodas: Syncors Silverton SL
  • Pneus: Continental X King
  • Avanço e guiador integrado: Syncros Fracer iC SL
  • Transmissão: Shimano XTR
  • Pedaleiro: Shimano XTR
  • Espigão de selim: BMC Rad integrado 80 mm
  • Travões: Shimano XTR
  • Suspensão: SR Suntour Axon Werx 34
  • Amortecedor: SR Suntour Edge
  • Selim: Fizik

As rodas Syncros Silverton SL foram a escolha, ou o apoio final encontrado para as corridas de XCO. São totalmente em carbono (raios e cubos inclusive), pesam 1290 gr’s e o preço ronda os 3599,99€.

Nesta fotografia a BMC Twostroke (modelo de XC rígido da marca suíça).

Além de escolherem transmissão e travões Shimano XTR e alguns componentes Syncros, Tom Pidcock e a Ineos também não utilizam nenhuma das duas grandes marcas de referência de suspensões e amortecedores no BTT (FOX e Rockshoxx), mas sim SR Suntour (marca com tradição, mas com menos expressão nos dias de hoje).

Curiosidades sobre como estas estrelas trocam as voltas às melhores equipas do mundo, com contratos de apoios com as melhores marcas do mundo, mas que revelam não estar preparados para receber ciclistas com estas valências, que estão criar novas tendências levando as equipas de estrada a estarem presentes em vários tipos de modalidade.

Podes ver AQUI um episódio parecido com Wout van Aert que competiu com uma Bianchi descaracterizada pelo facto da cervélo ainda não ter bicicleta de Cioclocrosse.

Tom Pidcock acabou por sofrer uma queda num treino a semana passada, tendo como consequência uma fractura da clavícula, o que deixa algumas dúvidas sobre a sua eventual participação nos Jogos Olímpicos, onde irá discutir a corrida com os melhores do mundo desta especialidade, entre eles, Mathieu Van der Poel.

Este era o calendário planeado para Tom Pidcock, na vertente XCO, até aos Jogos Olímpicos. Cumpriu até Nove Mesto e iria ainda fazer a corrida em Leogang, na qual é provável que não marque presença.

Por: Luís Beltrão

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2 Comments

  1. “venceu uma corrida da Taça do Mundo de XCO, tendo finalizado em segundo noutra.”

    Está informação não está correta, ele ganhou uma mas não acabou a outra (que foi a primeira) em 2°, penso que acabou em 5°

    • Olá Rui,

      tem toda a razão, inclusive escrevi sobre as corridas e errei ao escrever os resultados neste artigo.
      Foi primeiro em Nove Mesto e quinto em Albstadt.

      Obrigado pelo comentário e correção.🙂🙏🏼

      Boas pedaladas,
      Luís Beltrão

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