Specialized Tarmac SL8 | Teste TopCycling

Specialized Tarmac SL8 | Teste TopCycling

Inicio dizendo-vos que algumas das minhas crenças do passado (onde defendia que algumas premissas das marcas eram só marketing) caem por terra. A nova Specialized Tarmac SL8 é uma das culpadas.

Geração após geração vamos assistindo ao discurso das marcas: ” X % mais leve “; ” X % mais rígida “; ” X % mais aero “. Quem já está nisto das bicicletas há alguns anos, sinceramente, já não presta muita atenção a estas frases, mas talvez devesse.

Vídeo do teste

É possível melhorar o que é bom?

Sim! O facto é que a Specialized conseguiu tornar algo que já era muito bom – a Tarmac SL7 – em algo ainda melhor, a Tarmac SL8. Para isso utilizou o conhecimento adquirido durante décadas, na evolução da Tarmac e de outras das suas bicicletas de estrada.

Era algo que eu próprio não acreditava, até experimentar.

Quando vi as primeiras fotografias da bicicleta on-line pensei: OK é uma Tarmac mais magra, mais leve, mas na generalidade não mudará muito. Estava enganado.

Décadas de desenvolvimento

O discurso da marca é que esta bicicleta é metade Tarmac, metade Aethos, eu diria que isto é uma “Aethos Racing” porque a bicicleta tem mais da Aethos do que da Tarmac SL7, aliás de SL7 tem só a geometria (ângulos do quadro), porque a Specialized até foi “beber” uma parte da aerodinâmica ao seu modelo mais aerodinâmico, a Venge! (Bicicleta já não produzida atualmente). Reparem na semelhança da forqueta.

O discurso da marca é que esta bicicleta é metade Tarmac, metade Aethos, eu diria que isto é uma “Aethos Racing” porque a bicicleta tem mais da Aethos do que da Tarmac SL7.

S-Works Venge 2019 (Bicicleta já não produzida atualmente).
S-Works Tarmac SL8 testada – Pormenor aerodinâmico da forqueta e testa do quadro.

Com excepção da testa do quadro e forqueta, toda a bicicleta tem muito da Aethos, tubos minimalistas e redondos, as escoras surpreendentemente finas.

Specialized Aethos – escoras extremamente finas, tubos redondos.
S-Works Tarmac SL8 testada – Pormenor das escoras de tamanho reduzido.

A Specialized utilizou o conhecimento adquirido durante anos no desenvolvimento dos modelos Tarmac, Venge e por ultimo do modelo Aethos. O resultado é uma bicicleta completamente nova, não só na construção mas também nas sensações que transmite quando se pedala nela.

A Specialized Tarmac SL8 é mais suave na condução (muito parecida nesse aspecto com a Aethos), é mais ligeira e melhor escaladora do que a Tarmac SL7 (isso nota-se na estrada, não só nos textos de marketing), e o que mais me espantou (porque a SL7 já era muito boa neste aspecto) é que a Tarmac SL8 é ainda mais maneável e estável em descida do que a SL7.

As sensações e comparações estão muito presentes em mim, porque a minha bicicleta atual é uma Tarmac SL7, estou habituado a ela, pelo que consigo ter bem presentes as sensações e as diferenças entre ambas.

À medida que vamos fazendo quilómetros com a Tarmac SL8 há uma sensação “Mind Blowing“, de espanto, porque estamos a pedalar e a pensar: como é possível terem conseguido melhorar?

A evolução do mercado e da Tarmac

O mercado das bicicletas em geral (não só falando da Specialized), evoluiu da seguinte forma nos últimos anos.

Havia bicicletas de corrida escaladoras, geometria e peso para serem boas nas montanhas das grandes voltas, depois apareceu o conceito Aero, que trouxe bicicletas com tubos mais largos e mais aerodinâmicos, bicicletas muito vistosas do ponto de vista estético, no entanto as Aero sempre foram mais pesadas (mais carbono utilizado na construção do quadro, mais peso).

S-Works tarmac SL6

Depois algumas marcas optaram por querer simplificar a coisa, ou seja, construir bicicletas que não fossem demasiado específicas e aerodinâmicas, nem completamente escaladoras, sem pormenores aerodinâmicos na sua construção. Surgiram então as “All-around“, bicicletas que se posicionam entre as escaladoras puras e as aerodinâmicas, boas na montanha e boas no terreno plano.

Pois bem, a Specialized Tarmac SL6 era uma escaladora e a Specialized Venge uma Aero, em 2020 a Specialized juntou o melhor destas duas bicicletas e nasceu a Specialized Tarmac SL7, uma All-around que fazia bem tudo, desde o sprint nos Campos Elísios à subida do Alpe d’Huez.

S-Works tarmac SL7 – Testei em 2020.

Regresso às origens

Eu diria que a nova Specialized Tarmac SL8 voltou a ser uma bicicleta mais escaladora, mais virada para a montanha, sem deixar de ser boa no terreno plano, mas definitivamente mais escaladora, regressando assim (apesar da evolução) às origens do modelo Tarmac.

S-Works Tarmac SL8

A testa “Speed Sniffer” e a “magresa” dos tubos redondos

De física, de ciência e de engenharia eu não percebo nada, não sei se a forma como os engenheiros da marca construíram a testa do quadro (que apelidam de “Speed Sniffer”) e a forqueta fazem diferença no túnel de vento, mas sei que na estrada a Specialized Tarmac SL8 é uma bicicleta mais estável e maneável em descida (mesmo em dias de muito vento) e que continua a ser muito boa no terreno plano.

Se isto se deve ao design da testa do quadro e forqueta? É provável que sim.

Uma das coisas que vão notar quando virem uma Tarmac SL8 ao vivo, é que as escoras são incrivelmente finas (na linha das da Aethos), assim como o bloco pedaleiro (BB).

O facto de irem buscar muito daquilo que tinham feito na Specialized Aethos, traduziu-se num quadro com menos 115 gramas de peso em relação à geração anterior Tarmac SL7. Menos 115 gramas de peso é muito peso poupado (no espaço de uma só geração), isso permite à Specialized ter um dos quadros mais leves do World Tour.

O mais espantoso é que apesar do bloco pedaleiro (BB) ser incrivelmente minimalista, mantém a rigidez, não se nota torção quando colocamos carga. Lembrar que esta bicicleta tem que satisfazer as exigências dos World Tour.

O novo cockpit Roval Rapide

Este guiador foi lançado no mercado antes da própria Tarmac SL8 e é compatível com com outras bicicletas, como por exemplo e Specialized Aethos ou a Tarmac SL7.

De acordo com a Specialized, após testes feitos em túnel de vento, este guiador é mais aerodinâmico e mais rápido que a combinação de duas peças do guiador Rapide e o avanço Tarmac SL7.

Sinceramente, a mim parece-me muito mais bonito sem dúvida, se é mais rápido e mais aerodinâmico que a haste de guiador em conjunto com o avanço (duas peças) não sei.

A Specialized também garante que é 50 gramas mais leve que o conjunto de duas peças, eu acredito que sim, mas não pesei.

Ajuste

A desvantagem dos cockpits de uma peça sempre foi o ajuste, de forma que a Specialized oferece 15 combinações diferentes de avanço e guiador, todos com -6 graus, para atender à posição ideal do utilizador.

O raio do topo até aos drops foi esculpido para permitir espaço para os pulsos, seja durante um sprint final em pé ou em posição aerodinâmica. Confirmo que em nenhuma das posições adoptadas em cima da bicicleta os pulsos bateram na parte superior do guiador.

Desenvolvida no World Tour

Como se sabe a Specialized é patrocinadora de várias equipas do pelotão World Tour, algumas delas são envolvidas no desenvolvimento das bicicletas, como por exemplo a Soudal-Quick Step.

Agora poderá fazer sentido o facto de termos visto Kasper Asgreen ter utilizado uma Specialized Aethos numa etapa do Tour de France em 2021, seria o início do desenvolvimento da nova SL8? A marca não confirma isso mas partilho esta curiosidade com vocês, lembrando que a geometria da Aethos é praticamente a mesma da Tarmac.

Kasper Asgreen no Tour de France 2021 com a S-Works Aethos – Créditos: Getty Sport

Tenha sido com a colaboração de Kasper Asgreen ou de outros profissionais do World Tour, há uma coisa que não entendo, como pode uma bicicleta com tubos redondos convencionais ser mais Aero que uma bicicleta com tubos mais espalmados (de formato aerofólio) como tinha a Venge?

A afirmação é da própria Specialized, a marca garante que esta bicicleta é mais aerodinâmica que a antiga e descontinuada Venge (modelo focado na aerodinâmica).

Não vale a pena tentar perceber, volto às sensações que tive a pedalar na SL8, é uma bicicleta com uma estabilidade, condução e maneabilidade superiores à SL7, pelo que sou obrigado a acreditar que sim.

Geometria igual

Comparando os números das tabelas de geometria de ambos os modelos (SL7 e SL8), verificamos que a geometria se manteve praticamente igual, com pequenas diferenças em alguns pontos, nomeadamente na testa do quadro e forqueta.

Medidas em milímetros, de um quadro tamanho 56 em ambos os modelos.

Transmissão e travões

Cada vez são mais os utilizadores que têm contacto com as 12 velocidades, começa a não ser novidade, no entanto partilho algumas sensações para os que ainda não experimentaram.

Tal como já tive oportunidade de escrever noutros testes de bicicletas, as 12 velocidades na estrada é algo bom de se ter, mas não é essencial.

Permite ter opções mais alargadas de transmissão (existe mais um carreto), e permite andar no prato grande durante mais tempo, em 48-33 afrontam-se bastantes subidas sem ter que recorrer ao prato 35, e em 48-10 a bicicleta rola a velocidades iguais a um “tradicional” 52-11 (falando de grupos de 11 velocidades).

Não é essencial porque na verdade o que sinto é que com um grupo de 11 velocidades simplesmente recorremos ao prato pequeno mais vezes, talvez pessoas com menos preparação física beneficiem do carreto de 33 dentes desta cassete.

Em relação ao SRAM Red que equipa esta S-Works Tarmac SL8, nada a apontar, funciona bem, a bateria dura imenso e avisa através da luz no desviador quando está baixa.

Talvez o funcionamento dos triggers tenha um toque ligeiramente mais esponjoso que o Shimano Di2 mas funcionam na perfeição.

A maior diferença em relação ao modelo que vem equipado com Shimano Dura Ace é nos pousa mãos, aí sim, na minha opinião a Shimano é muito melhor.

Os pousa mão da Shimano têm uma ergonomia muito melhor que estes Sram Red. Além de ser mais confortável para as mãos, a Shimano tem o extra dos botões no topo dos pousa mãos, que permitem aceder a funcionalidades no dispositivo de treino utilizado, algo que a Sram não tem, por enquanto.

De realçar ainda que este modelo vem equipado com potenciómetro SRAM Quarq AXS de série, algo positivo porque recebemos a bicicleta, colocamos o dispositivo de treino e saímos para pedalar, pagamos mas temos uma bicicleta completa.

Rodas

Tanto as rodas como a transmissão e travões são as mesmas do anterior modelo SL7, pelo que já tive a oportunidade de vos escrever sobre isto no teste que fiz à Specialized Tarmac SL7, e não acrescento muito mais.

As rodas Roval Rapide CLX são um dos pontos mais positivos desta bicicleta, têm de uma rigidez e suavidade fantásticas, e apesar de se notar uma ligeira instabilidade em dias de muito vento (menor do que com outras rodas que já experimentei), a verdade é que são bastante estáveis, tendo em conta que estamos a falar de uns aros com um perfil de 51mm (frente) e 60mm (atrás).

Embora estejam a altura do conjunto, quem adquirir a bicicleta e gostar mais de escalar montanhas com ela, do que rolar em terreno plano/misto, é bom ponderar umas rodas de menor perfil.

O veredicto final

No que respeita ao desempenho, às sensações, à performance, esta bicicleta está mais evoluída do que a anterior Tarmac SL7, é mais leve, mais maneável, mais reactiva mas ao mesmo tempo com uma condução mais natural e fácil. Não deixando a anterior geração obsoleta, esta bicicleta está melhor que a anterior nestes aspectos.

Não obstante o óptimo desempenho, e a personalidade que lhe confere a testa do quadro, esta é uma bicicleta que na minha opinião não é tão apelativa esteticamente como a Tarmac SL7, como sabemos a estética não é tudo mas sabe bem quando estamos a beber café e a admirar a nossa bicicleta numa esplanada, ou quando queremos fazer aquela fotografia na volta do fim-de-semana.

Disponibilidade e preços

Podes ver a bicicleta testada, as características técnicas completas, gama, cores e disponibilidade no site da Specialized aqui: www.specialized.com/pt

O teste que fiz à Tarmac SL7 AQUI.

O teste que fiz à Specialized Aethos AQUI.

Texto: Luís Beltrão

Fotografia: José carmo

Edição fotografia: Jorge Branco

Vídeo e edição vídeo: Luís Beltrão

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