António Morgado, o novo fenómeno mundial

António Morgado, o novo fenómeno mundial

O 5º lugar na Volta à Flandres é histórico para Portugal e tem transcendência internacional. Olhamos para a história e estatística do ciclismo.

António Morgado tornou-se o mais jovem a fazer top cinco num Monumento desde Joseph Wouters, em 1962.

O belga Wouters foi 4º na Liège-Bastogne-Liège, mas o mais precoce da história é Valeriano Zanazzi, que com 19 anos foi 8º lugar na Milão-Sanremo de 1945.

Lendas como Eddy Merckx e Giuseppe Saronni superadas por um português! O belga por 212 dias e o italiano por 114.

“Aprendi que posso lutar por grandes corridas também. Antes desta prova não acreditava que este ano era possível, agora estou motivado para lutar. [Sobre as clássicas do pavê] Estou a começar a gostar, é um novo desafio.”

António Morgado

Dominar Oude Kwaremont e Paterberg

São 20 anos e 63 dias de vida. Em pouco tempo o Bigode Voador passou de raramente correr no pavê a dominar Oude Kwaremont e Paterberg.

Uma das exceções no empedrado foi o Europeu do ano passado. No Vamberg, situado no Limburgo neerlandês, António Morgado colocou Portugal nas 15 melhores nações em sub-23.

Este ano subiu o nível e correu a campanha de clássicas do Norte. Oito corridas prévias à Volta à Flandres onde o 2º lugar no Le Samyn foi o ponto alto.

Créditos: Nico Vereecken/Sprint Cycling Agency

“Senti que podia lutar pelo top 10

Quando outros quebraram, o ciclista de Salir do Porto começou a desfrutar da corrida.

É a essência dos Monumentos: evitar os percalços antes das duas horas finais de prova e ligar o turbo quando outros mal conseguem dar uma pedalada.

“No princípio doía-me a cabeça, tentei acabar a corrida porque era o objetivo. Esta era a minha corrida preferida para estar bem. Eu e o meu treinador trabalhamos para isso. A meio da prova comecei-me a sentir super bem, mesmo super, super bem e nessa parte senti que podia lutar pelo top 10. Sofri muito porque o meu posicionamento ainda não é bom.”

Créditos: Luca Bettini/Sprint Cycling Agency

“Corremos para ganhar”

Pela primeira vez na carreira o português superou a barreira dos 250 km em competição. Fê-lo num dos Monumentos tecnicamente mais difíceis e num dia chuvoso.

Foi o reflexo de uma grande corrida da UAE-Emirates. O bloco esteve sólido com Nils Politt 3º, Mikkel Bjerg 4º e Tim Wellens 12º.

“O plano era ganhar porque somos a melhor equipa e corremos para ganhar. Tínhamos o Nils como líder e no final tentei ajudá-lo a chegar ao pódio.”

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