O genuíno e talentoso Jonathan Milan

O genuíno e talentoso Jonathan Milan

O TopCycling foi conhecer Jonathan Milan. A sensação é de que a Lidl-Trek tem uma estrela em mãos. Antes do Giro tem-se testado no pavê.

O reforço estrela da Lidl-Trek para 2024 foi um acerto. Em três meses Jonathan Milan venceu no Tirreno-Adriático e afirmou-se como peça importante nas clássicas do Norte.

Quando entrevisto um sprinter italiano espero uma personalidade que encha a sala, com grandes gestos e declarações. Jonathan Milan não é nada disso.

Não foi o que disse, mas o que transmitiu. Valeu a pena ir a Calpe cobrir o Media Day da Lidl-Trek onde também falei com o campeão da Gent-Wevelgem, Mads Pedersen, e com Mattias Skjelmose.

Foi em dezembro, mas aguardei pela adaptação à equipa para escrever sobre o italiano. É um rapaz tímido que impressiona com 1,94 de altura (há quem diga 1,96) e 84 kg de músculo.

Milan não responde em piloto automático

Notei-o pouco à vontade com as muitas entrevistas que fez nesse dia. Também com as sessões de fotos dos patrocinadores.

A entrada da Lidl permitiu à Trek chegar aos 30 milhões de euros por temporada. O novo patamar obriga a maior exigência, sobretudo dos líderes.

Milan não responde em piloto automático nem diz muito. Ouve com atenção e regista.

Mostrou-se surpreendido quando invocamos a final do Europeu de pista de 2020 que perdeu com Ivo Oliveira e a disputa pelo bronze onde ganhou ao português no Mundial passado.

Aos 23 anos coleciona memórias dignas de um veterano. Já disse que é campeão olímpico na Itália de Filippo Ganna? Em Paris quer renovar o ouro na perseguição por equipas.

Créditos: Gianmattia D’Alberto/LaPresse

Lead-out tem cheirinho a carro novo

Não há dúvida de que, na estrada, o maior momento que viveu foi a conquista da maglia ciclamino no Giro de Itália do ano passado.

Ainda estava ao serviço da Bahrain Victorious, à qual chegou via CT Friuli. Da satélite da formação do Médio Oriente saíram outros talentos como os irmãos Mattia e Davide Bais, Matteo Fabbro e Giovanni Aleotti.

No Giro já deixou uma marca importante, mas longe do que fez o ídolo Marco Pantani.

“Tenho que admitir que foi uma surpresa fazer o Giro que fiz, mas depois de ganhar a etapa comecei a visualizar a vitória na classificação por pontos. Foi uma grande evolução passar de vencer na Volta à Croácia, em 2022, a vencer no Giro e o objetivo é voltar para tentar repetir.”

Jonathan Milan ao TopCycling.

O lead-out tem cheirinho a carro novo: Tim DeClercq, Ryan Gibbons e o colega de seleção Simone Consonni – carruagens do TGV que a Lidl-Trek preparou.

Com Consonni joga de olhos fechados como se viu no Tirreno-Adriático. A vitória em San Benedetto del Tronto foi uma masterclass do lançador e logo na etapa mais rápida da história (47,179 km/h de média) da Corrida dos Dois Mares.

Um Ferrari com duas rodas

Pelo segundo ano consecutivo o azarado Giulio Ciccone vai perder o Giro, pelo que Jonathan Milan e Andrea Bagioli serão as referências da casa na Lidl-Trek.

Na estrutura de 160 pessoas, dirigida por Luca Guercilena, 25 membros são italianos. Só no plantel masculino há sete, tantos quantos na Astana.

É um Ferrari com duas rodas que tem mantido o fino toque transalpino. Jonathan Milan sucede a sprinters Giacomo Nizzolo e Daniele Bennati, que também representaram a equipa com sede no Wisconsin.

É natural de Tolmezzo, localidade situada na ponta nordeste de Itália, perto da fronteira com a Eslovénia e a Áustria. Jonathan Milan não tem um discurso enlatado. É genuíno.

Perguntei-lhe se gostaria de chegar às quatro maglia ciclamino de Giuseppe Saronni e Francesco Moser.

“É uma boa pergunta. Nunca tinha parado para pensar nas coisas dessa maneira. Só ser mencionado na mesma frase do que eles… Sou mais de alcançar um objetivo e depois estabelecer outro, não necessariamente sempre o mesmo.”

Fascinado pela Paris-Roubaix

É um italiano que rompe os moldes, já que é fascinado pela Paris-Roubaix e quer seguir o caminho de Fabian Cancellara.

O primeiro grande teste nas clássicas foi na Milão-Sanremo. “Não sei como será a minha capacidade de sprintar após 260 km”, disse-me na entrevista.

Agora, Jonathan Milan já sabe que para sprintar na Via Roma deve sobreviver à Cipressa. O ritmo da UAE fez o italiano descolar; terminou 69º a 1:58 de Jasper Philipsen.

Chegam os Monumentos do pavê, onde o corredor de Friuli se quer testar. Na Gent-Wevelgem esteve soberbo seguindo ao ritmo de Mathieu Van der Poel e Mads Pedersen.

Foi a ponta da lança da Lidl-Trek e obrigou Van der Poel a perseguir. Pedersen beneficiou desse trabalho batendo o exausto campeão mundial em Wevelgem.

Quando o talento é muito é fácil criar expetativas. Poucos saberão que até 2021 Jonathan Milan correu 10 clássicas do Norte e o 36º na Roubaix junior foi o melhor resultado.

De certo modo 2023 foi o ano da revelação neste terreno: foi competitivo na Omloop Het Nieuwsblad e 12º na Kuurne-Bruxelas-Kuurne.

Veremos o que trazem a Volta à Flandres e a Paris-Roubaix. Uma coisa é certa: ajuda estar inserido no bloco que melhor tem corrido nesta campanha de clássicas.

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