Estudo europeu da Shimano revela que Portugal tem poucos utilizadores da bicicleta
Um estudo realizado pela Shimano, no qual participaram 25.000 pessoas em toda a Europa, revelou que 121 milhões de pessoas andam menos de bicicleta devido às dificuldades em aceder a serviços de reparação e manutenção.
A sondagem realizada foi conduzida como parte do Relatório sobre o Estado da Nação para 2025 da Shimano e pode ser consultado aqui.
Este relatório procurou compreender como as pessoas na Europa encaram as infraestruturas para ciclistas, a segurança das crianças no ciclismo e a qualidade e disponibilidade de manutenção e reparação de bicicletas.

Como se comporta Portugal neste relatório?
Portugal surge neste estudo da Shimano como o quarto país da Europa com o maior nível de melhorias percebidas nas infraestruturas locais para ciclistas.
No entanto, entre aqueles que atualmente andam de bicicleta e enfrentam barreiras no acesso a serviços de reparação, 41% afirmam que a falta de lojas de bicicletas locais é o principal problema.
55,9% das pessoas possuem atualmente uma bicicleta, o terceiro valor mais baixo do continente.

Manutenção de bicicletas
Em Portugal, 44,4% das pessoas que já tiveram uma bicicleta enfrentaram dificuldades na sua manutenção.
Enquanto muitos países europeus lutam contra longos tempos de espera, Portugal tem uma das taxas mais baixas de reclamações relativas a tempos de espera na Europa (16%).
Em vez disso, o principal problema é a disponibilidade, já que 41% das pessoas que enfrentam dificuldades citaram a falta de lojas de bicicletas, locais ou horários de funcionamento pouco convenientes como a principal razão.
Isto coloca Portugal em terceiro lugar na Europa no que diz respeito a este obstáculo específico, sugerindo a existência de lacunas significativas na disponibilidade de serviços, onde os ciclistas simplesmente não conseguem encontrar uma loja nas proximidades.

Segurança infantil
Em muitos países europeus, as pessoas sentem que o progresso em matéria de segurança das crianças na bicicleta está estagnado ou a regredir.
Esta estagnação representa um risco a longo prazo para a indústria do ciclismo.
As crianças que não se sentem seguras a andar de bicicleta são menos propensas a desenvolver hábitos de utilização da bicicleta que se prolonguem na adolescência e na idade adulta, reduzindo a participação futura.

No que toca aos dados globais europeus, menos de dois quintos dos inquiridos em toda a Europa afirmam que andar de bicicleta se tornou mais seguro para as crianças nos últimos doze meses.
Portugal demonstra um forte otimismo em relação à próxima geração de ciclistas, já que 46% das pessoas acreditam que se tornou mais seguro para as crianças andarem de bicicleta na sua área local, uma proporção notavelmente elevada em comparação com a média europeia de acordo com este estudo da Shimano.
A razão para esta maior confiança é clara: 78% dos inquiridos portugueses que consideraram que a segurança tinha melhorado, atribuíram isso diretamente à melhoria das infraestruturas adaptadas às crianças.

Infraestruturas
O estudo da Shimano conclui que existe uma disparidade substancial entre os países europeus no que diz respeito à perceção das pessoas sobre as infraestruturas para ciclistas.
A Polónia (47,7%), a França (40,2%) e a Finlândia (33,1%) ocupam as posições mais altas, enquanto a Grécia (-18,8%), a República Checa (-17,8%) e Bulgária (-4,7%) ocupam as posições mais baixas.
Os Países Baixos (+4,1%), a Bélgica (+8,9%) e a Dinamarca (+7,6%) estão entre os sete países com pior classificação.

Com os três há muito considerados pioneiros no ciclismo, será um choque para muitos que tenham uma classificação tão baixa. No entanto, esta disparidade não reflete um fracasso, mas sim uma expectativa.
Portugal ocupa o 4.º lugar na Europa em termos de melhorias nas infraestruturas para ciclistas, com 59% dos inquiridos a referir que as instalações na sua área local melhoraram ao longo do último ano.
Este sentimento positivo resulta numa pontuação líquida de melhoria de +31,76%, colocando Portugal bem à frente de potências tradicionais do ciclismo, como a Alemanha (+10,19%) e os Países Baixos (+4,10%).

Conclusão sobre este estudo
Ties van Dijk, especialista em advocacy da Shimano Europe, afirmou que o relatório sobre o estado da nação é um alerta para todos aqueles que se preocupam com o futuro do ciclismo na Europa.
Van Dijk diz que vemos milhões de pessoas que querem andar de bicicleta, mas são afastadas por barreiras que não deveriam existir, desde a falta de disponibilidade e complexidade da manutenção, até preocupações sobre se é seguro para as crianças andarem de bicicleta.
O defensor de direitos diz ainda que as infraestruturas físicas estão a melhorar em muitos locais, mas estas infraestruturas por si só não são suficientes.
Van Dijk finaliza ainda afirmando que se não conseguirmos facilitar a manutenção das bicicletas e garantir a segurança da próxima geração, corremos o risco de diminuir a participação precisamente no momento em que a sociedade mais precisa de uma mobilidade ativa e sustentável.

Webinar sobre o estudo
Na quarta-feira, 18 de março de 2026, às 15:00, a Shimano realizará um webinar para apresentar algumas das principais conclusões e insights do relatório.
Entre os oradores estão: Ties van Dijk, especialista em advocacy da Shimano Europe, Maud de Vries, CEO e cofundadora da BYCS entre outros. Pode inscrever-se para participar aqui.
Subscreve a newsletter semanal para receberes todas as notícias e conteúdo original do TopCycling.pt. Segue-nos nas várias redes sociais: Youtube, Instagram, “X” e Facebook.