Opinião | Tadej Pogacar prepara o assalto final ao Tour de France

Opinião | Tadej Pogacar prepara o assalto final ao Tour de France
Foto: A.S.O. Charly Lopez

O Tour de France leva nove etapas realizadas e prepara-se para abrir a segunda semana registando a maior diferença, em 22 anos, entre o camisola amarela (Tadej Pogacar) e o mais direto perseguidor (Jonas Vingegaard).

Para encontrarmos semelhante margem é preciso recuar à edição de 2004, quando Thomas Voeckler chegou a ter 3:01 sobre Stuart O’Grady, mas há um matiz importante: até quem não viu esse Tour deve saber que Voeckler nunca foi candidato e que O’Grady era sprinter.

Portanto, podemos afirmar com segurança que, neste século, nunca vimos uma primeira semana que produzisse tantas diferenças entre dois candidatos ao título… e só tivemos um dia de alta montanha, nos Pirenéus.

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Del Toro e Van der Poel já venceram etapas.
Foto: A.S.O. Thomas Maheux

Tadej Pogacar já venceu duas etapas

A segunda semana abre no Maciço Central, segue nas Vosges e finaliza nos Alpes, num completo passeio pelas cordilheiras montanhosas de França.

A 10.ª etapa, que se corre esta terça-feira, logo após o primeiro dia de descanso, finaliza em Le Lioran. Tem 3900 m de acumulado distribuído por sete montanhas categorizadas, incluindo duas de 1.ª categoria (Puy Mary e Col de Pertus).

É um terreno propício a que se produzam diferenças entre os favoritos. Tadej Pogacar já venceu duas etapas, enquanto que Jonas Vingegaard deve mostrar que está na luta e que os 2:38 averbados nos Pireneus foram um caso isolado.

Recomendo que ajustem os assentos e apertem os cintos de segurança já que o ritmo alto que a UAE meteu no domingo significa que se prepara para colocar em órbita o Caníbal esloveno.

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Vingegaard terminou “tocado” o dia do Tourmalet.
Foto: A.S.O. Charly Lopez

Início do périplo pelos Alpes

Após dois dias planos (etapas 11 e 12) e uma jornada com perfil para a fuga (etapa 13), entramos na Alsácia para um dos testes mais duros deste Tour: três montanhas de 1.ª categoria – Grand Ballon, Ballon d’Alsace e Col du Haag – a caminho da estância de Le Markstein, onde um já derrotado Pogacar venceu em 2023, no último Tour ganho por Vingegaard.

A segunda semana acaba com o início do périplo pelos Alpes, com um bombom made in Dauphiné, o Planalto de Solaison, onde ainda este ano vimos Isaac Del Toro carimbar a vitória no Tour Auvergne-Rhône-Alpes, como é agora conhecido o antigo Dauphiné.

Provavelmente, o Tour vai chegar à terceira semana decidido quanto ao vencedor final, dada a superioridade do bloco da UAE e do seu líder. Os dados complementam essa ideia: a UAE ganhou três das nove etapas e lidera em prémios monetários – quase 70 mil euros, ou seja, quase o dobro da segunda equipa neste ranking, a Lidl-Trek, que leva 38 mil euros.

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O grupo perseguidor no topo do Tourmalet.
Foto: A.S.O. Thomas Maheux

Tour encaixa bem a supremacia de Pogacar

Entretanto, continua a conversa habitual de que o público desliga quando Pogacar arrasa, mas a avaliar pelas audiências, parece não ser assim.

A etapa de domingo, que ligou Malemort a Ussel e foi ganha por Mathieu Van der Poel, teve um pico de 4,5 milhões de espetadores na France 2.

Curiosamente, nos Países Baixos, nem a vitória de Van der Poel nem a de Olav Kooij (550 mil espetadores de média e um pico de 1,9 milhões) foram as jornadas mais vistas. O melhor dia do canal público NOS foi o segundo, quando Del Toro recebeu uma prenda de Pogacar em Barcelona, superando os 600 mil espetadores.

Van der Poel bateu Johannessen e Pidcock em Ussel.
Foto: A.S.O. Charly Lopez

No sul da Europa, a Rai 2 italiana fez 1,1 milhões na 9.ª etapa, que no segundo canal da TVE (Espanha) foi o programa mais visto com 676 mil espectadores de média e um pico de 1,4 milhões.

Nada se comparará jamais aos recordes de audiências dos anos 90, até porque os hábitos de consumo mudaram muito desde então, mas são números razoáveis e que mostram que o Tour encaixa bem a supremacia de Pogacar.

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