Giro de Itália na Bulgária: O que esperar das etapas no país de Stoichkov?

Giro de Itália na Bulgária: O que esperar das etapas no país de Stoichkov?
Foto: Fabio Ferrari/LaPresse

O Giro de Itália estreia-se na Bulgária, um país com pouca tradição velocipédica e onde Hristo Stoichkov continua a ser a maior figura desportiva.

Enquanto não encontra um Hristo Stoichkov das bicicletas, a Bulgária prepara-se para dar o tiro de partida para a 109ª edição do Giro de Itália, o que levou o TopCycling a analisar as primeiras três etapas com quem sabe.

Futebol e ciclismo. Portugal e Bulgária. Há muitos pontos em comum entre os dois países, mas para ser honesto foi mesmo a bola a quebrar o gelo na conversa com o jornalista Simeon Kichukov.

Eu chuto o nome de Balakov, Yordanov e Kostadinov, ainda arrisco recordar o onze da Bulgária que me marcou no Mundial de 1994. O Simeon fica surpreendido, mas responde à altura, recordando que Danail Petrov correu 11 épocas em Portugal e até venceu na Volta a Portugal.

Ainda vem à baila Daniel Petrov, do Tavira, vencedor de um Troféu Joaquim Agostinho. Acabamos a falar do maior de todos os desportistas búlgaros e de uma imagem que representa o futebol na década de 1990: Stoichkov, na altura no Barcelona, de sunga, a brincar com a família numa praia da Costa Brava como um tipo normal.

Análise | O percurso do Giro de Itália

“O desporto que une, a Itália que inspira”.
A inscrição alusiva ao 80.º aniversário da República Italiana.
Foto: LaPresse

“Grande Partenza é uma grande oportunidade para a Bulgária”

Voltemos ao Giro para perceber porque é que o país decidiu fazer esta aposta.

Ao TopCycling, Simeon Kichukov conta que a ideia surgiu há um ano, inicialmente, com o foco em Sofia, até os políticos reconhecerem o grande potencial do evento.

“Receber a Grande Partenza é uma grande oportunidade para a Bulgária – não apenas da perspetiva económica, mas também desportiva. Pode ser um grande empurrão para o ciclismo búlgaro, uma oportunidade de estabelecer os pilares sobre os quais podemos construir o futuro. Receber o evento serve para promover a Bulgaria como destino turístico. O governo enfatizou a enorme exposição que o país vai receber – algo que não tem precedentes noutros eventos desportivos.”

O Giro presente na capital, Sofia, na praça Alexander Nevski.
Foto: LaPresse

A Bulgária não tem muita tradição no ciclismo e como recebe o Giro em ano de Mundial de futebol, é a bola que volta à mesa, particularmente o Mundial de 1994, o momento alto do Dream Team búlgaro, que bateu Argentina, México e Alemanha! E como não recordar que a Bola de Ouro desse ano foi para Stoichkov.

Recordo ao meu homólogo que, no final de março, esta geração perdeu o guarda-redes Mihaylov, que jogou no Belenenses. O Simeon acrescenta que o grande Penev também está doente. O tempo passa e convém não esquecer que Trifon Ivanov também já cá não anda.

Análise aos Monumentos: Pogacar, Van Aert, watts e recordes

A apresentação decorre no Teatro de verão, em Burgas.
Foto: LaPresse

Um percurso equilibrado

Simeon Kichukov é a voz que os búlgaros associam ao ciclismo, através do Eurosport, e predispôs-se a analisar para o TopCycling as etapas que vão marcar a Grande Partenza.

Esta é a análise de quem conhece as estradas e de um colega que servirá de elo de ligação a todas as versões do Eurosport durante este período.

Os organizadores locais e a RCS quiseram um percurso equilibrado, pelo vamos ter duas prováveis chegadas ao sprint e uma jornada para os caça-etapas.

“A 1ª etapa (Nessebar – Burgas 156 km) é lindíssima, passa por algumas das praias mais icónicas do Sul da Bulgária na costa do Mar Negro e em Nessebar encontramos vestígios da civilização romana. É a típica chegada para sprinters, numa avenida ampla.”

Sem corredores nas duas primeiras divisões, nos últimos 20 anos a Bulgária só teve dois atletas nas Grandes Voltas: Nikolay Mihaylov, no Giro de 2015, pela CCC – que anos mais tarde acabou a carreira na Efapel – e Danail Andonov Petrov, na Vuelta de 2012, pela Caja Rural.

“A 2ª etapa é a mais extensa na Bulgária (220 km) e é muito interessante. Os primeiros 100 km não são difíceis, apesar de passarem numa zona conhecida por ser ventosa. Nos últimos 100 km acumulam cerca de 1800 metros de desnível positivo. A cerca de 10 km da meta aparece a subida do Mosteiro de Lyaskovets — quase 3 km com inclinação média de 9 % – que tem seis curvas em ferradura e vai convidar a ataques. Para os puros sprinters será difícil reentrar porque desde o topo há uma longa descida de quase 8 km, algo técnica quando entram em Veliko Tarnovo. Perto da meta há um topo e uma parte em pavê no centro histórico. É muito provável que seja um grupo reduzido a discutir a vitória.”

Nas últimas semanas têm sido feitos trabalhos significativos de melhoria das estradas por onde passará a corrida.

A capital, Sofia, também está a preparar uma agenda de eventos associados à passagem do Giro de Itália para criar o buzz entre os habitantes locais.

“A 3ª etapa (174 km) começa em Plovdiv — uma das cidades mais antiga da Europa — e termina na capital, Sofia. É uma etapa bonita que também vai passar numa das estâncias de esqui mais icónicas do país, Borovets. A única subida longa está nesta zona, mas não é inclinada e fica longe do final. A abordagem a Sofia é bonita, passando por dois lagos naturais. O final é bem conhecido da Volta à Bulgária – os corredores passam muito tempo numa avenida ampla e apanha 200 metros de pavê em frente ao edifício do Parlamento. Mais uma etapa para os sprinters.”

Após esta jornada, os corredores têm o primeiro de três dias de descanso e rumam ao Sul de Itália, concretamente à Calábria, entrando na península pela província de Catanzaro.

A partir daí podem consultar o nosso Guia com as etapas do Giro. E assim termina a viagem à Bulgária, que não veremos no Mundial de futebol que se vai voltar a jogar nos Estados Unidos, mas que pudemos recordar graças à simpatia do nosso do Eurosport, colega Simeon Kichukov.

Ler mais | João Almeida falha o Giro

Noticias relacionadas

Volta à Lombardia 2026 | Paul Seixas, o príncipe do ciclismo, vence o seu primeiro Monumento

Volta à Lombardia 2026 | Paul Seixas, o príncipe do ciclismo, vence o seu primeiro Monumento

Mundial de Gravel 2026: Austrália recebe a edição mais dura e com menos “WorldTour’s” de sempre

Mundial de Gravel 2026: Austrália recebe a edição mais dura e com menos “WorldTour’s” de sempre

Precisam-se mecânicos! Indústria da bicicleta em alerta e ciclismo de alta competição também

Precisam-se mecânicos! Indústria da bicicleta em alerta e ciclismo de alta competição também

Granfondo Serra d’Ossa By Blackjack Wheels  levou cerca de 1600 participantes ao Alentejo

Granfondo Serra d’Ossa By Blackjack Wheels levou cerca de 1600 participantes ao Alentejo

Utilizamos cookies para garantir a funcionalidade e melhor experiência de navegação no nosso site. Saber mais